Ganhadores 2019

O tema selecionado para essa edição foram as fronteiras. A fronteira pode ser percebida em diversas camadas: desde a sua concepção mais tradicional, como limite, marco ou linha divisória entre dois países, ou como ponto de contato, de trocas e, até mesmo, de fusão com o outro, com o que é diferente, com a alteridade. Em sentindo mais amplo, a fronteira pode, também, remeter à ideia de descoberta, de exploração e de inovação.

O resultado do concurso apresenta como primeiro lugar do júri oficial o ensaio “A Sobrevivência dos Vagalumes”, de Osmar Gonçalves dos Reis Filho (Fortaleza, CE), que discute os limites das fronteiras nas ruas de cidades da América Latina, fotografadas à noite. Segundo o autor, “me surpreendo com o grande número de ambulantes povoando as praças, ocupando as calçadas, disputando cada centímetro vago nas esquinas. Envoltos na penumbra, eles emergem como vagalumes, como pequenos seres luminescentes, erráticos que, por meio de seus gestos nômades, afirmam outros modos de compreensão da cidade, outras formas de viver e praticar o espaço urbano.” Unanimidade entre os jurados, o ensaio ressalta que os ambulantes surgem como forças de resistência diante dos projetos de urbanização atuais, marcados pela gentrificação, pela assepsia e espetacularização dos espaços.

O segundo lugar do júri oficial, o ensaio “Tempo Presente” de Kitty Paranaguá (Rio de Janeiro, RJ), traz à tona uma visão poética do tema. Segundo a autora, “o foco do projeto é o embate homem, arquitetura, fronteira, natureza e todo o drama e a poesia que envolvem esta luta.” As consequências das mudanças climáticas, fruto da intervenção do homem sobre a natureza, criam uma metáfora com a realidade dos dias de hoje, quando as fronteiras se tornam cada vez mais tênues.

Além dos dois primeiros colocados, destacou-se o ensaio “Favelicidade”, de Luiz Baltar (Rio de Janeiro, RJ), ao qual foi conferida uma menção honrosa. O fotógrafo documenta a construção das paisagens, sociais e políticas, fundamentadas em memórias pessoais e coletivas do cotidiano das favelas do Rio de Janeiro e “as fronteiras invisíveis de uma cidade partida”.

O prêmio do júri popular foi concedido à Giuliana Mota de Mesquita (Nova Friburgo, RJ), pelo ensaio “Olhar Fronteiriço”.

Parabéns a todos!